RAIO-X DA COPA: NOVA ZELÂNDIA

História, momento, destaques e expectativas da seleção da Nova Zelândia para o Mundial

Luis Oliveira (@jornaluista)

5/25/20265 min read

HISTÓRIA NAS COPAS

A seleção neozelandesa disputará a Copa do Mundo pela terceira vez em sua história em 2026. A estreia aconteceu em 1982, na Espanha, em uma campanha para ser esquecida: a equipe perdeu os três jogos, sofreu 12 gols e marcou apenas dois. O confronto mais emblemático foi contra o Brasil de Telê Santana, que aplicou uma goleada de 4 a 0 com dois gols de Zico, um de Falcão e outro de Serginho Chulapa. A Escócia (5 a 2) e a União Soviética (3 a 0) completaram o grupo. Foram necessários 28 anos para os neozelandeses retornarem ao torneio, desta vez na África do Sul em 2010.

PARTICIPAÇÃO HISTÓRICA

A campanha de 2010 é, sem dúvida, o capítulo mais glorioso do futebol neozelandês. Comandada por Ricki Herbert, a Nova Zelândia entrou no Grupo F ao lado de Itália, Paraguai e Eslováquia e protagonizou uma das grandes surpresas do torneio ao terminar invicta. Na estreia, Winston Reid marcou um gol heroico aos 47 minutos do segundo tempo contra a Eslováquia, garantindo o primeiro ponto da história do país em Copas com o empate em 1 a 1. O resultado mais emblemático, porém, viria na segunda rodada: Shane Smeltz abriu o placar contra a Itália, campeã mundial de 2006, e o jogo terminou empatado em 1 a 1. O feito paralisou o país e até hoje é lembrado como um dos maiores momentos esportivos da Nova Zelândia. Na última rodada, outro empate, agora sem gols contra o Paraguai, selou a eliminação, mas com a honra de ser a única seleção invicta do Grupo F. A campanha terminou com três empates, dois gols marcados, dois sofridos e a sensação de dever cumprido.

A ÚLTIMA PARTICIPAÇÃO

Após a histórica campanha de 2010, a Nova Zelândia enfrentou uma longa seca de 16 anos longe dos Mundiais. Os All Whites chegaram perto da classificação em três ocasiões consecutivas, sempre caindo na repescagem intercontinental: perderam para o México por 9 a 3 no placar agregado em 2014, para o Peru por 2 a 0 em 2018 e para a Costa Rica por 1 a 0 em 2022. A frustração de três eliminações seguidas na fase final das eliminatórias só seria superada com a mudança no formato da competição.

ANÁLISE DA TRAJETÓRIA PRÉ-COPA

A classificação para 2026 foi um passeio. Com a expansão da Copa para 48 seleções, a Oceania ganhou uma vaga direta pela primeira vez na história, e a Nova Zelândia não desperdiçou a oportunidade. A equipe entrou diretamente na segunda fase das eliminatórias e fez uma campanha perfeita: cinco jogos, cinco vitórias, 29 gols marcados e apenas um sofrido. Na fase de grupos, atropelou Taiti (3 a 0), Vanuatu (8 a 1) e Samoa (8 a 0). No mata-mata, goleou Fiji por 7 a 0 na semifinal e bateu a Nova Caledônia por 3 a 0 na decisão, com gols de Michael Boxall, Kosta Barbarouses e Elijah Just, garantindo a vaga com autoridade. A nota negativa ficou por conta da lesão no quadril sofrida pelo capitão Chris Wood durante a final, que o tirou de campo ainda no segundo tempo.

TREINADOR

Darren Bazeley, de 53 anos, assumiu o comando da seleção em julho de 2023, após um período como treinador interino e assistente. Ex-jogador com passagens por clubes ingleses como o Watford, Bazeley conhece bem o futebol neozelandês e comandou as seleções de base do país antes de assumir o time principal. Sob sua liderança, os All Whites mantiveram a hegemonia na Oceania, mas o técnico sabe que o verdadeiro teste será no Mundial. Bazeley afirmou que o objetivo é "fazer história para a Nova Zelândia" e, para isso, aposta em um sistema tático organizado e na força do conjunto para superar as limitações individuais.

O CRAQUE DA SELEÇÃO

O centroavante Chris Wood, de 34 anos, é a grande referência técnica e emocional dos All Whites. Jogador do Nottingham Forest, da Premier League, ele é o maior artilheiro da história da seleção, com 45 gols, e foi nomeado capitão para a campanha de 2026. Wood chega ao seu segundo Mundial, repetindo o feito de 2010, quando era um jovem de 18 anos no elenco que empatou com a Itália. Aos 34 anos, vive um momento de maturidade na carreira, mas precisou superar uma lesão no quadril sofrida na final das eliminatórias contra a Nova Caledônia, que acendeu um sinal de alerta sobre sua condição física. Apesar do susto, Wood se recuperou a tempo de liderar a equipe naquela que será, muito provavelmente, sua última Copa do Mundo. Ao lado dele, Tommy Smith, zagueiro de 36 anos que joga no Braintree Town, também disputará seu segundo Mundial, 16 anos depois de 2010.

EXPECTATIVAS

A Nova Zelândia foi sorteada no Grupo G ao lado de Bélgica, Egito e Irã, uma chave extremamente complicada para os padrões oceânicos. A estreia será contra o Irã, no dia 15 de junho, em Los Angeles, em um confronto direto crucial para as pretensões de ambos os times. Na segunda rodada, o adversário será o Egito de Mohamed Salah, no dia 21, em Vancouver. O último jogo da fase de grupos, contra a Bélgica, também será em Vancouver, no dia 27. A missão de Bazeley é clara: conquistar a primeira vitória da Nova Zelândia na história das Copas e, quem sabe, sonhar com uma classificação inédita para as oitavas de final. Para isso, será fundamental pontuar na estreia contra os iranianos e tentar arrancar ao menos um empate do Egito, antes do confronto final contra os belgas, quando as esperanças de classificação podem estar em jogo.

O veredito do TDB

Em um grupo que combina a favorita Bélgica com o Egito de Salah e o incerto Irã, a Nova Zelândia entra como a azarão do grupo. A campanha invicta das eliminatórias, com 29 gols marcados e apenas um sofrido, mostra que os All Whites sabem fazer o dever de casa contra adversários tecnicamente inferiores, mas o salto para o nível de um Mundial é gigantesco. A estreia contra o Irã é o jogo mais importante da história recente do país: uma vitória colocaria a equipe em posição de sonhar com as oitavas, enquanto uma derrota tornaria a missão quase impossível. Com Chris Wood em campo, a defesa sólida que só sofreu um gol nas eliminatórias e a motivação de disputar a terceira Copa da história, a Nova Zelândia tem a chance de finalmente vencer uma partida em Mundiais. Se conseguirá ir além, dependerá da capacidade de Bazeley de armar um time competitivo contra seleções muito superiores tecnicamente. A primeira vitória é o objetivo realista e a grande história para ser lembrada para sempre; o resto é história de rodapé.

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