RAIO-X DA COPA: IRAQUE
História, momento, destaques e expectativas da seleção iraquiana para o Mundial
Suelen Oliveira (@pswelen)
5/27/20264 min read


História nas Copas
O Iraque possui uma trajetória curta em Copas do Mundo, mas marcada por momentos simbólicos para o futebol asiático.
A única participação iraquiana em Mundiais aconteceu em 1986, no México. Em meio ao conturbado contexto da Guerra Irã-Iraque, a classificação foi celebrada como um feito histórico e motivo de orgulho nacional.
A estreia da seleção aconteceu contra o Paraguai, em derrota por 1 a 0. Depois, o Iraque enfrentou a forte Bélgica e perdeu por 2 a 1, mas marcou seu primeiro gol em Copas do Mundo com Ahmed Radhi, considerado até hoje o maior jogador da história do país.
Encerrando sua participação, os iraquianos foram derrotados pelos anfitriões mexicanos por 1 a 0 e acabaram eliminados ainda na fase de grupos.
História de Copa
Em sua primeira participação em Mundiais, os Leões da Mesopotâmia foram comandados pelo técnico brasileiro Evaristo de Macedo.
O treinador assumiu a equipe pouco antes da competição, substituindo outro brasileiro, Edu Coimbra, irmão de Zico.
Evaristo já era um nome respeitado internacionalmente. Como treinador, acumulava passagens importantes pelo futebol brasileiro e experiência no Oriente Médio, incluindo trabalhos no Catar em competições de base, fator que facilitou sua chegada à seleção iraquiana.
Participação histórica
O futebol iraquiano voltou a ganhar destaque internacional nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.
A seleção olímpica surpreendeu o mundo ao alcançar as semifinais do torneio, derrotando seleções tradicionais como Portugal, por 4 a 2, e Costa Rica, por 2 a 0.
Mesmo terminando na quarta colocação e sem medalha, a campanha foi tratada como uma das grandes histórias daquela edição olímpica.
Diversos atletas daquela geração acabaram se tornando pilares importantes da seleção principal nos anos seguintes.
Análise da trajetória pré-Copa
O Iraque enfrentou os Emirados Árabes Unidos na quinta fase das Eliminatórias da AFC.
No primeiro confronto, em Abu Dhabi, as equipes empataram por 1 a 1. Na volta, diante de um Basra International Stadium completamente lotado, os iraquianos venceram por 2 a 1 e avançaram para a repescagem intercontinental.
Na repescagem mundial, o adversário decisivo foi a Bolívia. Em partida disputada no México, o Iraque venceu por 2 a 1 e garantiu sua vaga para a Copa do Mundo de 2026.
Ali Al-Hamadi marcou o primeiro gol ainda no primeiro tempo. A Bolívia chegou ao empate, mas Aymen Hussein anotou o gol que selou a histórica classificação.
Craque
Aymen Hussein é o grande destaque da seleção iraquiana e um dos atacantes mais decisivos do futebol asiático na atualidade.
Fisicamente forte e extremamente perigoso dentro da área, o camisa 9 tornou-se um dos principais símbolos da classificação histórica do Iraque para a Copa do Mundo de 2026.
O atacante ganhou ainda mais notoriedade durante a Copa da Ásia de 2023. Na competição, terminou como vice-artilheiro, com seis gols marcados, incluindo dois na vitória histórica sobre o Japão.
Além de exercer papel de liderança dentro de campo, Aymen Hussein também é o maior artilheiro da seleção iraquiana em atividade, com 33 gols.
Entre seus principais títulos estão a Copa do Golfo Árabe de Nações de 2023, conquistada com a seleção do Iraque, além de títulos nacionais pelo Al-Quwa Al-Jawiya, Raja CA e CS Sfaxien.
Destaques
A seleção iraquiana chega à Copa do Mundo com uma geração que mistura juventude e experiência.
Um dos principais nomes é Ali Jasim, considerado uma das grandes promessas do futebol asiático. O atacante chama atenção pela velocidade, habilidade no drible e criatividade ofensiva.
Outro destaque é Zidane Iqbal, meio-campista formado pelo Manchester United FC.
Com boa visão de jogo e qualidade técnica, Zidane é visto como uma referência da nova geração iraquiana, oferecendo maior controle e criatividade ao meio-campo.
Já Amir Al-Ammari desempenha papel fundamental na organização da equipe.
Enquanto Aymen Hussein é o responsável pelas finalizações, Al-Ammari dita o ritmo do time, ligando defesa e ataque e sendo peça importante na construção ofensiva iraquiana.
Treinador
O comandante da seleção iraquiana é o australiano Graham Arnold.
O treinador assumiu a equipe em 2025 com a missão de recolocar o Iraque entre as seleções competitivas do cenário internacional.
Desde sua chegada, Arnold comandou a seleção em 12 partidas, acumulando sete vitórias, três empates e apenas duas derrotas.
Os números ajudaram a recolocar o país em uma Copa do Mundo após 40 anos de ausência.
Curiosamente, esta será a primeira Copa do Mundo de Graham Arnold comandando uma seleção fora da Oceania.
Expectativa para a Copa
O Iraque chega à Copa do Mundo sem a pressão das grandes seleções, fator que pode transformar a equipe em uma das possíveis surpresas do torneio.
A expectativa é que os iraquianos consigam alcançar ao menos o mata-mata, algo que já seria histórico para o país.
Mesmo enfrentando adversários mais tradicionais, a seleção apresenta organização tática e estrutura competitiva, características que podem fazer diferença ao longo da competição.
Veredito do TDB
O Iraque retorna ao cenário mundial carregando uma das histórias mais simbólicas da competição e pode transformar sua organização defensiva em uma arma para surpreender seleções mais tradicionais.
