RAIO-X DA COPA: INGLATERRA
História, momento, destaques e expectativas da seleção inglesa para o Mundial
Luis Henrique (@jornaluista)
6/4/20264 min read


HISTÓRIA NAS COPAS
A seleção inglesa é uma das fundadoras do futebol mundial e disputará sua 17ª participação em Copas do Mundo em 2026. O país estreou em 1950, no Brasil, e desde então construiu uma trajetória de momentos marcantes. Fora o título de 1966, os ingleses acumulam campanhas de destaque, como o quarto lugar na Rússia em 2018 e as semifinais em 1990, na Itália. Ao todo, são 74 jogos em Mundiais, com 32 vitórias, 22 empates e 20 derrotas, além de 104 gols marcados. A Inglaterra jamais venceu uma Copa fora de seus domínios, e o objetivo em 2026 é justamente quebrar esse tabu.
PARTICIPAÇÃO HISTÓRICA
A campanha mais gloriosa da Inglaterra em Copas do Mundo é, sem dúvida, a de 1966, quando o país foi sede e conquistou seu único título. Sob o comando de Alf Ramsey, a equipe derrotou a Alemanha Ocidental por 4 a 2 na prorrogação, em Wembley, com um hat-trick de Geoff Hurst. A campanha também foi marcada pela solidez defensiva e pela liderança do capitão Bobby Moore. Nas quartas de final, a Inglaterra venceu a Argentina por 1 a 0, e nas semifinais superou Portugal de Eusébio por 2 a 1. O gol polêmico de Hurst na final, que bateu no travessão e gerou dúvidas se a bola ultrapassou a linha, é um dos lances mais polêmicos da história do futebol, levantando debates até os dias de hoje. Sessenta anos depois, a Inglaterra ainda persegue o segundo título.
A ÚLTIMA PARTICIPAÇÃO
A participação mais recente da Inglaterra aconteceu em 2022, no Catar, e foi novamente cercada de expectativas. A campanha começou de forma arrasadora, com uma goleada por 6 a 2 sobre o Irã. Empatou sem gols com os Estados Unidos e venceu o País de Gales por 3 a 0 para garantir o primeiro lugar do grupo. Nas oitavas, vitória tranquila sobre Senegal por 3 a 0. Nas quartas de final, a Inglaterra enfrentou a França em um dos melhores jogos do torneio e foi eliminada por 2 a 1. Harry Kane, que havia se tornado o maior artilheiro da história da seleção durante a Copa, perdeu um pênalti nos minutos finais que poderia ter levado a partida para a prorrogação. A eliminação nas quartas de final deixou um gosto amargo.
ANÁLISE DA TRAJETÓRIA PRÉ COPA
A Inglaterra chega a 2026 com moral e uma campanha de classificação avassaladora. A seleção liderou o Grupo K das Eliminatórias Europeias com autoridade e garantiu a vaga de forma antecipada. A equipe terminou a competição com 100% de aproveitamento, com um ataque extremamente produtivo e uma defesa sólida que não foi vazada durante a competição, feito que apenas a Alemanha havia conseguido na história do torneio, nas eliminatórias para a Copa de 2018. O ponto alto da campanha foram as vitórias contundentes sobre Sérvia e Letônia, que demonstraram a força ofensiva do English Team. A Inglaterra não dependeu de repescagem e chega ao Mundial com o status de postulante ao título, sustentada por um futebol competitivo e experiente no mais alto nível.
TREINADOR
Thomas Tuchel assumiu o comando da seleção inglesa em outubro de 2024, substituindo Gareth Southgate, que deixou o cargo após a final da Euro 2024. Tuchel, de 51 anos, é um dos treinadores mais respeitados do mundo, com passagens vitoriosas por Chelsea e Paris Saint-Germain. Contratado pela Federação Inglesa com um contrato robusto de 18 meses, Tuchel tem a missão de liderar a "geração de ouro" inglesa ao topo do mundo. No entanto, sua convocação para a Copa de 2026 veio acompanhada de forte repercussão na imprensa britânica. A lista final do treinador alemão deixou de fora nomes badalados como Jack Grealish, Trent Alexander-Arnold e Cole Palmer, que não vinham tendo bom desempenho em seus clubes, e abriu espaço para jovens promessas como Elliot Anderson e Morgan Rogers. Tuchel defendeu suas escolhas afirmando que "a forma atual e o merecimento" foram os critérios principais, mas a decisão gerou debates acalorados entre torcedores e comentaristas, dividindo opiniões sobre o caminho que a seleção deve seguir.
O CRAQUE DA SELEÇÃO
O centroavante e capitão Harry Kane, de 32 anos, é a maior referência técnica e de liderança do English Team. Jogador do Bayern de Munique, Kane se tornou o maior artilheiro da história da seleção inglesa durante a Copa de 2022 e continua ampliando seus números. Sua capacidade de finalização, visão de jogo e inteligência tática o tornam um dos atacantes mais completos do planeta. Apenas uma sombra paira sobre o camisa 9: a necessidade de conquistar um título importante pela seleção. Aos 32 anos, a Copa de 2026 pode representar sua última grande chance de erguer um troféu com a camisa da Inglaterra. Outro nome que se consolidou como peça fundamental é Jude Bellingham. O meia do Real Madrid, de apenas 22 anos, é o presente e o futuro do futebol inglês, combinando técnica refinada, força física e uma maturidade tática incomum para sua idade. A dupla Kane e Bellingham é o coração da equipe de Tuchel.
EXPECTATIVAS
A Inglaterra foi sorteada no Grupo L, ao lado de Croácia, Gana e Panamá, uma chave que, no papel, é bastante acessível para uma das favoritas ao título. A estreia será contra a Croácia, dia 17 de junho no Texas (EUA), na partida mais complicada do grupo. Na segunda rodada, os ingleses têm pela frente Gana, no Gillette Stadium, em Massachusetts (EUA), dia 23 de junho. A fase de grupos se encerra contra o Panamá, no MetLife Stadium, New Jersey (EUA), no dia 27 de junho. A expectativa é de uma classificação tranquila em primeiro lugar do grupo, mas o duelo contra os Croatas pode balançar as expectativas dos ingleses.
O veredito do TDB
A Inglaterra é uma das favoritas ao título da Copa do Mundo de 2026. Com um elenco recheado de estrelas atuando nos maiores clubes do mundo, um treinador de elite e a confiança de quem bateu na trave nas últimas grandes competições, o English Team tem todas as condições de fazer uma campanha longa e histórica. O grupo acessível na primeira fase, apesar da pedida mais dura contra a Croácia, deve permitir que Tuchel faça ajustes e prepare a equipe para os desafios maiores do mata-mata. Se Harry Kane mantiver o faro de gol, Bellingham ditar o ritmo do meio-campo e a defesa funcionar, a Inglaterra pode, enfim, repetir 1966.
