RAIO-X DA COPA: HAITI
História, momento, destaques e expectativas da seleção haitiana para o Mundial
Otavio Izaque (@otavio_izaque1)
5/15/20264 min read


História em Copas
Com apenas uma participação em Copas do Mundo, o Haiti retorna ao Mundial depois de cinco décadas fora da competição.
Mesmo com o país à beira de um colapso, a classificação para 2026 pode representar um momento de esperança para a população haitiana, que volta a presenciar um feito histórico da seleção nacional.
A única participação dos Le Bicolores aconteceu em 1974, na Copa do Mundo realizada na Alemanha Ocidental.
Na única aparição em Mundiais, a seleção do Haiti caiu no chamado “grupo da morte”, ao lado de Argentina, Itália e Polônia.
Dentro de campo, a equipe estreante encontrou muitas dificuldades e perdeu todos os jogos, incluindo uma derrota por 7 a 0 para os poloneses.
Participação histórica
Com apenas uma participação em toda a sua história, o TDB destaca justamente a campanha de 1974.
Estreando em Mundiais, a seleção azul e vermelha teve o azar de enfrentar Argentina e Itália no Grupo D, além da forte seleção da Polônia.
Com pouca experiência em Copas e enfrentando equipes consideravelmente superiores, o Haiti não demonstrou força suficiente e acabou derrotado nas três partidas da fase de grupos.
Com 14 gols sofridos e apenas dois marcados, os Le Bicolores terminaram na última posição do grupo, sem nenhum ponto conquistado.
Porém, o grande destaque daquela estreia foi o atacante Emmanuel Sanon, herói haitiano em Copas do Mundo.
Ele foi responsável pelo primeiro gol da história do país em Mundiais, marcado justamente na estreia contra a Itália.
O gol ficou marcado por encerrar a longa sequência de minutos sem sofrer gols do lendário goleiro italiano Dino Zoff, ídolo da Azzurra.
Sanon também marcou o outro gol da seleção haitiana no torneio, na derrota por 4 a 1 para a Argentina.
Análise da trajetória pré-Copa
Sem México e Estados Unidos participando das Eliminatórias da Concacaf, a campanha haitiana foi sólida e a classificação veio sem necessidade de repescagem.
Na segunda fase, a equipe venceu três partidas em quatro jogos e avançou em segundo lugar no Grupo C, ao lado de Curaçao.
Na terceira e última fase, os azuis e vermelhos caíram novamente no Grupo C, ao lado de Costa Rica, Honduras e Nicarágua.
A emoção durou até a última rodada. Contando com um tropeço dos hondurenhos diante da Costa Rica, o Haiti venceu a Nicarágua, jogando em Curaçao, por 2 a 0 e garantiu vaga direta para a Copa do Mundo de 2026.
Destaque para Louicius Don Deedson e Ruben Providence, autores dos gols da vitória histórica diante da Nicarágua.
Craque da seleção
Atuando na Premier League, Jean-Ricner Bellegarde é a principal referência técnica do Haiti para o Mundial.
Por jogar em uma das maiores ligas do mundo e enfrentar regularmente grandes estrelas do futebol internacional, Bellegarde se tornou peça fundamental no meio-campo da seleção haitiana.
Revelado pelo Lens, da França, o jogador passou pelo Strasbourg antes de ser negociado com o Wolverhampton, seu atual clube.
Mesmo com o rebaixamento dos Wolves, Bellegarde alternou entre titularidade e banco de reservas ao longo da temporada da Premier League.
Ao final da campanha, somou 25 partidas, com um gol e uma assistência.
Com a camisa da seleção haitiana, ainda possui poucos jogos, mas teve participação importante na campanha que garantiu a classificação para a Copa do Mundo de 2026.
Destaques
Além de Bellegarde, o Haiti conta com jogadores importantes em diferentes setores do campo.
Ricardo Adé, atleta da LDU de Quito, é considerado um defensor sólido e se destaca pela força física e intensidade defensiva.
No ataque, a equipe conta com os goleadores Duckens Nazon e Frantzdy Pierrot.
Nazon, que atua no futebol iraniano, é o principal artilheiro da seleção haitiana em atividade, com 40 gols marcados pela equipe nacional.
Pierrot construiu uma carreira sólida passando por clubes da América do Norte, Turquia e Grécia.
Pela seleção do Haiti, já marcou 33 gols.
Treinador
O francês Sébastien Migné chegou ao Haiti em 2024 com a missão de reconstruir a seleção e recolocar o país em uma Copa do Mundo após 52 anos.
O objetivo foi alcançado, e Migné será o responsável por comandar a equipe azul e vermelha no Mundial de 2026.
Este é o primeiro grande trabalho da carreira do treinador, que passou boa parte da trajetória profissional atuando como auxiliar técnico antes de assumir a seleção haitiana.
Qual é a expectativa para a Copa do Mundo?
No Grupo C do Mundial, ao lado de Brasil, Marrocos e Escócia, o Haiti aparece claramente como a quarta força da chave.
A seleção deve funcionar como fiel da balança na disputa pela classificação entre as equipes favoritas.
Ainda assim, diante do contexto histórico da classificação e da volta à Copa depois de 52 anos, existe expectativa de que os haitianos possam surpreender e conquistar pontos importantes contra Marrocos ou Escócia.
Uma eventual classificação para o mata-mata seria histórica.
O veredito do TDB
A missão haitiana é extremamente complicada.
No futebol, surpresas acontecem — como a histórica campanha da Costa Rica em 2014, quando avançou em um grupo com Inglaterra, Uruguai e Itália.
Porém, em uma chave com o Brasil, apontado como favorito ao título, além de Marrocos e Escócia, é difícil imaginar um cenário em que os haitianos consigam avançar à próxima fase.
Ainda assim, o retorno ao principal palco do futebol mundial oferece ao torcedor haitiano um raro momento de felicidade.
Crédito de Imagem: Ezequiel Becerra / Getty Imagens
