RAIO-X DA COPA: ESCÓCIA

História, momento, destaques e expectativas da seleção escocesa para o Mundial

Luis Henrique (@jornaluista)

5/15/20264 min read

História nas Copas

A seleção escocesa carrega uma longa relação com a Copa do Mundo, mas jamais conseguiu superar a fase de grupos em oito participações (1954, 1958, 1974, 1978, 1982, 1986, 1990 e 1998).

A estreia, na Suíça, terminou com derrota por 1 a 0 para a Áustria e uma goleada sofrida para o Uruguai.

Nas edições seguintes, a Escócia alternou bons momentos com frustrações, sempre parando na primeira fase, muitas vezes por detalhes — como saldo de gols ou resultados paralelos.

Apesar de nunca ter avançado, a equipe ficou marcada por atuações aguerridas e uma torcida apaixonada, a famosa Tartan Army.

Participação histórica

A campanha que melhor simboliza a sina escocesa é a de 1978, na Argentina.

Comandada por Ally MacLeod, que chegou a declarar publicamente que a Escócia brigaria pelo título, a seleção caiu num grupo difícil e começou perdendo para o Peru por 3 a 1.

Depois, empatou com o estreante Irã, fazendo a classificação parecer impossível.

Mas no último jogo veio o momento que atravessaria gerações: Archie Gemmill marcou um golaço contra a poderosa Holanda, fintando três defensores e tirando do goleiro para fazer 3 a 2.

A vitória por 3 a 2, porém, não foi suficiente — a equipe precisava de um gol a mais e acabou eliminada por diferença de gols.

Foi a vitória mais gloriosa em Copas e, ao mesmo tempo, a mais dramática eliminação.

A última participação

A última presença escocesa em Mundiais aconteceu na França, em 1998.

A Escócia foi a responsável por enfrentar o Brasil no jogo de abertura, no Stade de France.

Aos 4 minutos, César Sampaio abriu o placar para os brasileiros, e John Collins empatou de pênalti, antes de um gol contra de Tom Boyd decretar a vitória brasileira por 2 a 1.

Na sequência, um empate em 1 a 1 com a Noruega manteve vivas as esperanças, mas a goleada sofrida para Marrocos por 3 a 0 na rodada final selou a eliminação.

Desde então, a Escócia ficou fora das Copas por 28 anos.

Análise da trajetória pré-Copa

A Escócia foi a grande sensação do Grupo C das eliminatórias europeias, terminando na liderança com autoridade.

Deixou para trás Dinamarca — que precisou buscar a vaga na repescagem —, além de Grécia e Belarus.

A campanha foi construída com uma defesa sólida e jogos decisivos em Hampden Park, como a vitória sobre os dinamarqueses no confronto direto que garantiu a primeira colocação, na última rodada.

Após 28 anos de ausência, os escoceses voltam a um Mundial sem depender de playoffs: chegam como líderes de chave e donos do próprio destino.

Treinador

Steve Clarke assumiu a seleção em 2019 e mudou o patamar do futebol escocês.

Sob seu comando, o país voltou a disputar uma Eurocopa (2020) e outra em 2024, encerrando longos jejuns.

Clarke aposta num sistema defensivo sólido, com transições rápidas e bolas paradas letais, extraindo o máximo de um elenco com poucas estrelas, mas muito competitivo.

A classificação para a Copa de 2026 é o ápice do trabalho, e o treinador já afirmou que o objetivo é "fazer história e, finalmente, jogar um mata-mata de Copa do Mundo".

O craque da seleção

O grande nome da Escócia é o meia Scott McTominay.

Jogador do Napoli, ele se tornou o motor do meio-campo e a principal referência ofensiva da equipe.

Artilheiro das eliminatórias para a Euro 2024 e peça-chave no caminho até 2026, McTominay alia força física, chegada na área e um faro de gol implacável.

O capitão Andy Robertson, do Liverpool, ao lado de John McGinn, do Aston Villa, completam a liderança técnica e emocional, mas é o camisa 8 quem carrega a esperança de gols decisivos.

Expectativas

A Escócia caiu no Grupo C ao lado de Brasil, Marrocos e Haiti, uma chave que mistura o favoritismo absoluto, uma seleção africana em franca ascensão e uma caribenha considerada a zebra do grupo.

O confronto de abertura contra o Haiti é tratado como obrigação de vitória — tropeçar ali seria um pesadelo para as pretensões escocesas.

Na sequência, o duelo contra Marrocos desponta como a grande decisão pela segunda vaga: os marroquinos vêm embalados pelo histórico quarto lugar em 2022 e têm um elenco talentoso, mas a Escócia aposta na força defensiva e na bola aérea para neutralizar Hakimi e companhia.

O reencontro com o Brasil, 28 anos depois da abertura de 1998, fecha a fase de grupos e deve opor duas realidades distintas — de um lado, uma candidata ao título; do outro, uma seleção que quer mostrar que não está ali apenas para fazer número.

O veredito do TDB

A missão é difícil, mas não impossível.

Com Marrocos despontando como adversário direto, a Escócia precisará repetir a solidez das eliminatórias e pontuar no confronto direto.

Um triunfo sobre o Haiti e ao menos um empate contra os marroquinos deixariam os escoceses vivos para a última rodada.

A vaga nas oitavas dependerá de uma campanha impecável nos detalhes, algo que o time de Clarke já demonstrou saber fazer.

A Tartan Army tem motivos para sonhar — e, desta vez, o despertar pode ser histórico.

Crédito de Imagem: Reprodução/ESPN