RAIO-X DA COPA: CROÁCIA
História, momento, destaques e expectativas da seleção croata para o Mundial
Luis Henrique (@jornaluista)
6/4/20264 min read


HISTÓRIA NAS COPAS
A seleção croata disputará a Copa do Mundo pela sétima vez em sua história em 2026. A estreia aconteceu em 1998, na França, logo após a independência do país, e foi simplesmente espetacular. Liderada por Davor Suker, artilheiro do torneio com seis gols, a Croácia surpreendeu o mundo ao terminar na terceira colocação. Nas quartas de final, goleou a Alemanha por 3 a 0. A campanha só foi interrompida pela anfitriã França na semifinal, mas a vitória sobre a Holanda na disputa pelo bronze consolidou o país como uma potência emergente. Ao todo, a Croácia soma 30 jogos em Copas do Mundo, com 13 vitórias, 8 empates e 9 derrotas.
PARTICIPAÇÃO HISTÓRICA
A campanha de 2018, na Rússia, foi a mais gloriosa da história croata e levou o país à sua primeira final de Copa do Mundo. Comandada por Zlatko Dalic, a Croácia superou a fase de grupos com três vitórias, incluindo uma goleada por 3 a 0 sobre a Argentina. No mata-mata, a equipe demonstrou uma resiliência impressionante: venceu Dinamarca e Rússia nas disputas de pênaltis, nas oitavas e quartas de final respectivamente. A semifinal contra a Inglaterra foi um dos jogos mais emocionantes do torneio. Após sair atrás no placar, a Croácia empatou com Ivan Perisic e conseguiu a virada com Mario Mandzukic na prorrogação, vencendo por 2 a 1. Na final, a França foi superior e venceu por 4 a 2, mas o vice-campeonato mundial foi celebrado como um feito histórico. Luka Modric, capitão e maestro do time, foi eleito o melhor jogador da competição.
A ÚLTIMA PARTICIPAÇÃO
A participação mais recente da Croácia foi em 2022, no Catar, e confirmou que a geração de Dalic ainda tinha lenha para queimar. Com um time renovado em relação a 2018, mas ainda liderado pelo experiente Modric, os croatas terminaram em segundo lugar no grupo, atrás de Marrocos e à frente de Bélgica e Canadá. Nas oitavas de final, a Croácia eliminou o Japão nos pênaltis. Nas quartas de final, protagonizou um dos grandes jogos do torneio ao eliminar o Brasil, vencendo novamente nas penalidades máximas após um empate em 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação. Nas semifinais, a Argentina foi mais forte e venceu por 3 a 0. Na disputa pelo terceiro lugar, a Croácia superou Marrocos por 2 a 1 e repetiu o bronze de 1998, consolidando ainda mais a tradição e legado que o país está construindo em copas do mundo.
ANÁLISE DA TRAJETÓRIA PRÉ COPA
A Croácia conquistou a classificação para 2026 com uma campanha consistente no Grupo L das Eliminatórias Europeias. A equipe terminou na primeira colocação, superando a República Tcheca com boa margem de pontos. A chave ainda contava com Montenegro, Ilhas Faroe e Gibraltar. A Croácia acumulou 22 pontos, com 7 vitórias, 1 empate e nenhuma derrota, marcando 26 gols e sofrendo apenas quatro. O artilheiro da campanha foi Andrej Kramaric, com seis gols, seguido por Ivan Perisic, com quatro.
TREINADOR
Zlatko Dalic, de 59 anos, é o grande comandante da era de ouro do futebol croata. Ele assumiu a seleção em 2017 e, desde então, levou o país a feitos históricos, como os pódios conquistados nas copas de 2018 e 2022. Conhecido por seu estilo sereno, mas firme, Dalic construiu uma equipe que mescla a experiência dos veteranos com a juventude de novos talentos. Sua capacidade de gerir egos e manter a união do grupo foi crucial para os resultados consistentes da Croácia nos últimos anos. Para 2026, o treinador terá a missão de comandar a transição geracional em pleno Mundial, já que alguns de seus principais líderes estão em idade avançada.
O CRAQUE DA SELEÇÃO
O meio-campista e capitão Luka Modric, aos 40 anos, disputará sua quinta Copa do Mundo e segue como o coração e a alma da seleção croata. Jogador do Milan, Modric é o maior nome da história do futebol do país e um dos maiores meio-campistas de todos os tempos. Eleito o melhor jogador da Copa de 2018 e vencedor da Bola de Ouro no mesmo ano, o camisa 10 continua ditando o ritmo do jogo com sua visão privilegiada, passes precisos e chutes de longa distância. Modric chega a 2026 como o jogador de linha mais velho a disputar um Mundial desde Roger Milla, em 1994, e sua condição física será gerida com cuidado pela comissão técnica. O zagueiro Josko Gvardiol, do Manchester City, desponta como o sucessor natural da liderança técnica e já é considerado um dos melhores defensores do mundo.
EXPECTATIVAS
A Croácia foi sorteada no Grupo L, ao lado de Inglaterra, Gana e Panamá. Uma chave que coloca os vice-campeões de 2018 diante de uma das grandes favoritas ao título, uma seleção africana sempre perigosa e uma equipe da CONCACAF que busca contrariar as expectativas. A estreia será justamente contra a Inglaterra, em um duelo que reeditará a semifinal de 2018. Para os croatas, pontuar nesse primeiro jogo é fundamental para embalar a campanha, a partida será no Texas (EUA), dia 17 de junho. Na segunda rodada, o adversário será o Panamá, o patinho feio do grupo, e a expectativa é de 3 pontos sem muitos problemas, partida que ocorre em Toronto (Canadá), dia 23 de junho. A fase de grupos se encerra contra Gana, que tem boa safra e jogadores extremamente talentosos, partida que promete valer o segundo lugar do grupo, o jogo será na Philadelphia (EUA), no dia 27 de junho. A missão de Dalic é repetir o espírito copeiro de 2018 e 2022 para navegar por um grupo onde a Inglaterra é favorita, mas a segunda vaga está totalmente em aberto.
O veredito do TDB
Em um grupo que tem o favoritismo absoluto da Inglaterra, a Croácia entra como uma postulante a segundo lugar do grupo. O peso da idade de seus principais líderes é real, mas a capacidade de superação e o espírito coletivo que marcaram as campanhas de 2018 e 2022 não podem ser subestimados. A estreia contra a Inglaterra será um teste de fogo, e o resultado ditará o tom do restante da fase de grupos. Se Modric conseguir encontrar espaços, Kramaric mantiver a pontaria afiada e a defesa liderada por Gvardiol funcionar, a Croácia tem plenas condições de avançar para o mata-mata. A partir daí, com o DNA copeiro que já conhecemos, qualquer coisa é possível.
