RAIO-X DA COPA: COSTA DO MARFIM
História, momento, destaques e expectativas da seleção costa marfinense para o Mundial
Luiz Malcov (@luiz_malcov)
5/20/20263 min read


Primeira Participação
A estreia da Costa do Marfim no Mundial ocorreu na Alemanha, marcando a chegada da chamada "Geração de Ouro" ao maior palco do futebol. O sorteio, no entanto, foi cruel, colocando a seleção em um grupo pesado ao lado de Argentina, Holanda e Sérvia e Montenegro. A primeira partida na história do país na competição terminou em uma derrota por 2 a 1 para a Argentina. Apesar de novos reveses contra os holandeses, a equipe se despediu com uma vitória por 3 a 2 sobre os sérvios. Mais do que o desempenho em campo, aquela participação eternizou o papel político da seleção, que, liderada por Didier Drogba, utilizou a visibilidade da classificação para pedir o fim da guerra civil em seu país.
Campanha Histórica
Nós, do Tempo de Bola, destacamos a participação no Brasil em 2014 como a mais emblemática pelo nível de expectativa e frustração. Após campanhas difíceis em 2006 e 2010, os marfinenses chegaram com maturidade e caíram em uma chave com Colômbia, Japão e Grécia. Após vencerem o Japão por 2 a 1 e perderem para a Colômbia pelo mesmo placar, a decisão da vaga para um inédito mata-mata ficou para a última rodada contra a Grécia. O empate garantia a classificação, mas um pênalti convertido por Georgios Samaras aos 48 minutos do segundo tempo decretou a derrota por 2 a 1, interrompendo o sonho marfinense de forma dramática.
Craques que já vestiram a camisa
O grande símbolo do futebol marfinense é Didier Drogba, atacante de imposição física, liderança e finalização letal. No meio-campo, Yaya Touré ditava o ritmo com sua força e capacidade de infiltração, consagrando-se como um dos meio-campistas mais completos e dominantes de sua geração. A estrutura daquela equipe lendária contou também com a firmeza defensiva de Kolo Touré e a velocidade incisiva de Salomon Kalou e Gervinho, jogadores que colocaram a seleção no mapa da elite do futebol mundial.
Trajetória pré-Copa
O ciclo para 2026 marca o renascimento da equipe, que precisava de uma resposta após ficar de fora das edições de 2018 e 2022. O ponto de virada foi a conquista do título da Copa das Nações Africanas no início de 2024, jogando em casa. Embalada pelo troféu continental, a Costa do Marfim fez uma campanha imponente nas eliminatórias da CAF, garantindo o retorno ao Mundial com autoridade, consistência defensiva e um elenco renovado.
Técnico
A seleção é comandada por Emerse Faé. O ex-jogador assumiu a equipe de forma interina no meio da Copa das Nações Africanas de 2023, após uma fase de grupos instável, e guiou o time ao título heroico. Efetivado no cargo, Faé conseguiu blindar o elenco, implementando um sistema de jogo focado em solidez no meio-campo e transições rápidas, resgatando a confiança do futebol marfinense.
Craque da Seleção:
Franck Kessié, o meio-campista é o motor absoluto da equipe atual. Kessié oferece forte combate defensivo, mas também pisa na área adversária com facilidade e excelente tempo de bola. A expectativa é que ele assuma plenamente o papel de liderança tática e emocional, organizando o setor central e ditando o ritmo de jogo do time.
Veredito TDB
De volta à Copa do Mundo, a Costa do Marfim tem um desafio tático exigente no Grupo E. Com a Alemanha figurando como a potência técnica e natural favorita à primeira posição, o cenário mais realista coloca os marfinenses em uma briga franca e direta com o Equador pela segunda vaga rumo ao mata-mata, enquanto Curaçao corre por fora. O Tempo de Bola projeta que o confronto direto contra os sul-americanos será uma verdadeira final antecipada, definindo o futuro da equipe. Se os marfinenses traduzirem o peso do seu título africano recente em organização em campo, a tão sonhada e inédita classificação para as oitavas de final é um objetivo perfeitamente palpável neste torneio.
