RAIO-X DA COPA: AÚSTRIA

História, momento, destaques e expectativas da seleção da Áustria para o Mundial

Luis Henrique (@jornaluista)

6/1/20264 min read

HISTÓRIA NAS COPAS

A seleção austríaca disputará a Copa do Mundo pela oitava vez em sua história em 2026. A estreia aconteceu em 1934, na Itália, quando o lendário "Wunderteam" austríaco era considerado um dos grandes favoritos ao título. A equipe confirmou as expectativas e chegou às semifinais, mas perdeu para a anfitriã Itália e depois para a Alemanha na disputa pelo terceiro lugar, encerrando sua primeira participação em quarto lugar. A melhor campanha da Áustria em Copas viria duas décadas depois: em 1954, na Suíça, a seleção terminou na terceira colocação, um resultado que permanece como o ponto mais alto da história do país no torneio. Ao todo, a Áustria soma 29 jogos em Copas, com 12 vitórias, quatro empates e 13 derrotas, além de 43 gols marcados e 47 sofridos.

PARTICIPAÇÃO HISTÓRICA

O auge austríaco aconteceu justamente na Copa do Mundo de 1954. A campanha ficou marcada pela força ofensiva da equipe e por um dos jogos mais históricos do torneio: a vitória por 7 a 5 sobre a Suíça, nas quartas de final, partida conhecida como a "Batalha de Lausanne", até hoje o jogo com mais gols no tempo normal da história das Copas. Na semifinal, a Áustria foi derrotada pela futura campeã Alemanha Ocidental por 6 a 1, mas se recuperou com uma vitória por 3 a 1 sobre o então campeão Uruguai, garantindo a medalha de bronze. O atacante Erich Probst foi o grande nome daquela campanha, marcando seis gols e terminando como vice-artilheiro da competição.

A ÚLTIMA PARTICIPAÇÃO

A participação mais recente da Áustria aconteceu na França, em 1998. A campanha teve uma curiosidade rara: os três gols marcados pela equipe no torneio saíram nos acréscimos do segundo tempo. Após empates por 1 a 1 contra Camarões e Chile, com gols de Toni Polster e Ivica Vastic, a Áustria perdeu para a Itália por 2 a 1 e terminou em terceiro lugar no grupo, sendo eliminada ainda na primeira fase. Desde então, foram 28 longos anos de ausência dos palcos mundiais.

ANÁLISE DA TRAJETÓRIA PRÉ-COPA

A Áustria conquistou a classificação para 2026 com uma campanha dominante no Grupo H das Eliminatórias Europeias. Em oito partidas disputadas, a equipe de Ralf Rangnick venceu seis, empatou uma e perdeu apenas uma vez: uma derrota de 1 a 0 para a Romênia, fora de casa. Foram 22 gols marcados e apenas quatro sofridos, com um saldo positivo de 18 gols. Com 19 pontos, a Áustria terminou na primeira colocação, dois pontos à frente da Bósnia e Herzegovina, que ficou com a segunda vaga e foi para a repescagem. Romênia, Chipre e San Marino completaram o grupo. O desempenho consistente reforça a expectativa de uma equipe competitiva, que mistura experiência internacional e jogadores em destaque nos principais clubes da Europa.

TREINADOR

Ralf Rangnick assumiu o comando da seleção austríaca em 2022 e revolucionou o futebol do país. Veterano de 67 anos, o treinador alemão é um dos grandes nomes do futebol europeu moderno e influenciou uma geração de técnicos com seu estilo de jogo baseado no gegenpressing, pressão intensa para recuperar a bola logo após a perda da posse. Sob seu comando, a Áustria chegou às oitavas de final da Euro 2024 e agora retorna à Copa do Mundo após quase três décadas. Rangnick recusou uma proposta do Bayern de Munique para seguir com o projeto austríaco e tem contrato até 31 de julho de 2026. Seu objetivo declarado é "fazer história" com a Áustria, e a classificação direta como líder do grupo H é a prova de que o trabalho está no caminho certo.

O CRAQUE DA SELEÇÃO

O zagueiro e capitão David Alaba, de 33 anos, é a grande referência técnica e de liderança do time. Jogador do Real Madrid, Alaba é um dos futebolistas mais condecorados de todos os tempos, com mais de 30 títulos importantes na carreira, incluindo múltiplas Champions League e títulos nacionais por Bayern de Munique e Real Madrid. Com 111 partidas pela seleção, sua versatilidade, capaz de atuar como zagueiro, lateral ou meio-campista, e sua qualidade na saída de bola o tornam peça central no sistema de Rangnick. No meio-campo, Marcel Sabitzer (Borussia Dortmund) e Konrad Laimer (Bayern de Munique) despontam como os motores da equipe, unindo intensidade na marcação e chegada ao ataque.

EXPECTATIVAS

A Áustria foi sorteada no Grupo J, ao lado da Argentina (atual campeã mundial), Argélia e Jordânia, uma chave que combina o grande favorito, uma seleção africana em busca de afirmação e a zebra do grupo. A estreia será no dia 17 de junho, contra a Jordânia, no Levi's Stadium, Em Santa Clara, Califórnia (EUA). Empatar ou perder para os jordanianos seria um desastre para as pretensões austríacas, que encaram a partida como obrigação de vitória. Na segunda rodada, o confronto mais aguardado: Argentina x Áustria, no dia 22 de junho, no AT&T Stadium, em Arlington, Texas (EUA). O último compromisso da fase de grupos será contra a Argélia, em Kansas City, Missouri (EUA), no dia 27 de junho, em um duelo que pode definir a segunda vaga do grupo para as oitavas de final, a partida será realizada no Arrowhead Stadium. A meta de Rangnick é clara: passar da fase de grupos e, quem sabe, repetir ou superar os feitos de 1934 e 1954.

O veredito do TDB

Em um grupo que tem a Argentina como franca favorita, a Áustria desponta como a principal candidata à segunda vaga. O histórico recente nas Euros, a campanha quase impecável nas Eliminatórias e a presença de jogadores experientes e talentosos como Alaba, Sabitzer e Laimer credenciam a equipe a sonhar com as oitavas de final. Em um cenário de mata-mata, qualquer coisa pode acontecer. A estreia contra a Jordânia é a chave para o destino austríaco no torneio: vencer é obrigação. Se Rangnick conseguir impor o gegenpressing e a equipe manter a solidez defensiva que sofreu apenas quatro gols nas Eliminatórias, a Áustria tem tudo para voltar a figurar entre os melhores do mundo.

Crédito de Imagem: Getty Imagens

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