RAIO-X DA COPA: AUSTRÁLIA
História, momento, destaques e expectativas da seleção australiana para o Mundial
Luis Henrique (@jornaluista)
5/19/20265 min read


HISTÓRIA NAS COPAS
A seleção australiana disputará a Copa do Mundo pela sétima vez em sua história em 2026. A estreia aconteceu em 1974, na Alemanha Ocidental, em uma campanha modesta: a equipe não marcou gols, não venceu partidas e foi eliminada ainda na fase de grupos. Após um longo jejum de 32 anos, os Socceroos retornaram ao torneio em 2006 e, desde então, construíram uma trajetória de presença constante, chegando ao seu sexto Mundial consecutivo. Ao todo, a Austrália soma 20 jogos em Copas, com um histórico de quatro vitórias, cinco empates e 11 derrotas, além de 19 gols marcados e 43 sofridos. A seleção jamais ficou de fora de uma edição desde que se filiou à Confederação Asiática de Futebol (AFC), em 2006.
PARTICIPAÇÃO HISTÓRICA
A campanha de 2022, no Catar, é considerada a mais bem-sucedida da história australiana em Copas do Mundo. Os Socceroos conquistaram duas vitórias em uma mesma edição pela primeira vez e repetiram a melhor campanha do país, alcançada originalmente em 2006, ao chegarem às oitavas de final. Na fase de grupos, a Austrália perdeu para a França por 4 a 1 na estreia, mas se recuperou com triunfos convincentes sobre Tunísia e Dinamarca, garantindo a classificação. Nas oitavas, a equipe enfrentou a Argentina e foi eliminada por 2 a 1. Nos acréscimos, Garang Kuol quase conseguiu o empate histórico, mas o arqueiro argentino Dibu Martínez fez uma defesa milagrosa, assegurando a vitória dos futuros campeões mundiais. Foi uma campanha que elevou o futebol australiano a um novo patamar.
A ÚLTIMA PARTICIPAÇÃO
Além da histórica campanha de 2022, vale destacar a participação de 2018, na Rússia, que foi a última antes do Catar. Na ocasião, a Austrália ficou na fase de grupos, em uma chave com França, Dinamarca e Peru. Os Socceroos estrearam com derrota por 2 a 1 para os franceses, empataram em 1 a 1 com os dinamarqueses e perderam por 2 a 0 para os peruanos, encerrando sua participação na lanterna do Grupo C.
ANÁLISE DA TRAJETÓRIA PRÉ-COPA
A Austrália conquistou a vaga para 2026 com uma campanha de superação nas Eliminatórias Asiáticas. A segunda fase foi impecável: seis vitórias em seis jogos, com 100% de aproveitamento e nenhum gol sofrido. Já a terceira fase começou de forma turbulenta, com derrotas para o Bahrein e a Indonésia, o que culminou na saída do técnico Graham Arnold após seis anos no comando. Com a chegada de Tony Popovic, a Austrália emendou uma sequência invicta de seis partidas, incluindo a vitória por 2 a 1 de virada sobre a Arábia Saudita fora de casa, com gols de Connor Metcalfe e Mitchell Duke, que confirmou a classificação direta. A equipe terminou a fase final na segunda colocação do Grupo C, atrás apenas do Japão, garantindo vaga automática para o Mundial sem depender da repescagem pela primeira vez desde 2014.
TREINADOR
Tony Popovic assumiu o comando da seleção em setembro de 2024, durante a conturbada terceira fase das eliminatórias. Ex-defensor da própria seleção onde jogou a copa de 2006 como jogador, Popovic rapidamente impôs disciplina tática e uma estrutura defensiva sólida, características de sua experiência como zagueiro. Sob seu comando, a Austrália passou por um processo de renovação: apenas quatro titulares da era Graham Arnold permaneceram no time que selou a vaga contra a Arábia Saudita. Popovic conseguiu mesclar juventude e experiência para levar os Socceroos ao sexto Mundial consecutivo e agora tem o desafio de superar as campanhas de 2006 e 2022, mirando as quartas de final.
O CRAQUE DA SELEÇÃO
O meio-campista Jackson Irvine, do FC St. Pauli, desponta como o principal jogador australiano para a Copa de 2026. Irvine comanda o meio-campo com sua capacidade de controlar o ritmo do jogo, sua resistência que permite atuar tanto na defesa quanto no ataque, e seu faro de gol. Outro nome de peso é o zagueiro Harry Souttar, do Leicester City, que combina solidez defensiva com presença ofensiva nas bolas aéreas, sendo uma arma importante em jogadas ensaiadas.
A dupla, no entanto, trava uma batalha particular contra o corpo para chegar em condições ao Mundial. Irvine sofreu uma grave reação por estresse no pé esquerdo que exigiu cirurgia em abril de 2025 e o afastou dos gramados por mais de seis meses, fazendo com que perdesse inclusive os confrontos decisivos das eliminatórias contra Japão e Arábia Saudita. Quando enfim retornou e disputou cinco partidas consecutivas pelo St. Pauli, uma recidiva da lesão em janeiro de 2026 o tirou de ação novamente por tempo indeterminado. Mesmo assim, Irvine voltou a jogar apenas dez dias depois e, atuando com dores visíveis, fez 90 minutos em uma vitória heroica sobre o Stuttgart para ajudar seu clube a escapar do rebaixamento. O técnico Tony Popovic admitiu que, até fevereiro, temia perder o camisa 8 para a Copa, e a condição do pé segue exigindo cuidados diários.
Souttar viveu um calvário ainda mais prolongado. Em dezembro de 2024, defendendo o Sheffield United por empréstimo, rompeu o tendão de Aquiles, lesão que demandou um ano inteiro de recuperação. Quando se aproximava do retorno, um problema no joelho em janeiro de 2026 exigiu nova intervenção cirúrgica e alongou a ausência para 16 meses. O zagueiro só voltou a disputar uma partida oficial em abril, marcando um gol e atuando os 90 minutos. Ainda assim, diferentemente de 2022, quando chegou como titular absoluto, Souttar agora precisa provar sua condição física no acampamento preparatório da Flórida. “Há momentos em que você está treinando, sente um incômodo e precisa parar de novo. É essa incerteza: será que vou voltar a tempo? Será que estarei bem?”, desabafou o defensor.
EXPECTATIVAS
A Austrália foi sorteada no Grupo D ao lado dos anfitriões Estados Unidos, do Paraguai e da Turquia. A partida contra os norte-americanos na segunda rodada é o confronto mais aguardado da chave: jogar em Seattle diante de um estádio lotado e uma torcida apaixonada será um teste de fogo para os Socceroos. O Paraguai, de volta ao Mundial após 16 anos, é uma equipe conhecida pela solidez defensiva e pelo perigo nas bolas paradas, e deve ser o adversário que decidirá a sorte da Austrália na terceira rodada. Já a Turquia chega embalada por uma campanha consistente na repescagem europeia e conta com um elenco talentoso, jovem e imprevisível. A missão de Popovic é clara: repetir o feito de 2022 e chegar às oitavas, mas com a ambição de ir além e alcançar as quartas de final pela primeira vez na história.
O veredito do TDB
Em um grupo que combina o anfitrião Estados Unidos com o Paraguai copeiro e a jovem indomável Turquia, a Austrália tem plenas condições de avançar. A experiência adquirida nas campanhas de 2006 a 2022, somada à renovação tática promovida por Tony Popovic, credencia os Socceroos a buscar a classificação. A estreia contra os turcos será fundamental: uma vitória colocaria a equipe em posição confortável para os duelos seguintes. Se conseguir igualar a solidez das eliminatórias e aproveitar as bolas aéreas com Souttar e Irvine, a Austrália pode sonhar com um feito inédito.
Crédito de Imagem: Getty Imagens
