MP entra em fase final de investigações nas administrações do Corinthians

Processo pode levar a intervenção judicial no Timão

Guilherme Santos (@guizao.dofut)

10/7/20262 min read

MP entra em reta final de investigação que reúne indícios para pedir intervenção no Corinthians

Promotores ainda estão em dúvida se entrarão com pedido na Justiça, mas a situação é completamente desfavorável ao clube.

O Ministério Público de São Paulo vai avançando para a reta final das investigações referentes à administração do Corinthians, e tudo indica que, neste momento, será pedida a intervenção judicial no clube.

Os promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal, da Promotoria de Patrimônio Público e Social de São Paulo, ainda não tomaram uma decisão sobre pedir ou não a ação de intervenção. As apurações seguem em andamento.

Pessoas ligadas à investigação dizem que, pelos documentos e depoimentos que já foram reunidos pelo MP, não há outro desfecho a não ser o pedido de intervenção. Se as investigações terminassem hoje, haveria, sim, o pedido à Justiça.

Só não é possível cravar que haverá o pedido de intervenção porque ainda há documentos a serem recebidos e analisados, além de depoimentos a serem ouvidos. Na teoria, ainda podem surgir novas provas que mudem o cenário, hoje favorável à intervenção.

Desde o começo do inquérito, em maio, os promotores avançaram de maneira considerável na investigação, recebendo diversas denúncias, informações publicadas na imprensa, ouvindo pessoas ligadas ao clube e tendo acesso a diversos documentos. O inquérito já contém mais de dez depoimentos e tem cerca de 3 mil páginas.

O promotor Silvio Antonio Marques, famoso por atuar em casos de improbidade administrativa, se juntou recentemente aos outros dois promotores que já vinham conduzindo o inquérito.

Silvio também integra a Promotoria de Patrimônio Público e Social. Por se tratar de um inquérito envolvendo o Corinthians, o promotor teve grande interesse em participar do caso. Agora, os promotores passam a trabalhar em três neste final de inquérito.

O que determinará o pedido ou não de intervenção é a conclusão sobre se a atual estrutura do clube tem capacidade de lidar com os problemas.

A investigação está baseada em três eixos: financeiro, já que o clube tem uma dívida na casa dos R$ 2,8 bilhões; político-estrutural, focado na organização, na administração e no funcionamento dos poderes internos; e contratos lesivos, referentes a irregularidades e prejuízos ao clube.

O MP não estabeleceu um prazo para finalizar o inquérito. Há grandes chances de que isso ocorra antes das eleições para a presidência e o Conselho Deliberativo do Corinthians, marcadas para 28 de novembro.

Caso o MP entre com uma ação civil pública pedindo a intervenção, será o Judiciário que decidirá e autorizará ou não a medida.